Nascido Para Matar

sexta-feira, 6 de maio de 2011
 
Título Original: Full Metal Jacket
Gênero: Guerra / Drama
Tempo de Duração: 117 min
Ano de Lançamento: 1987
Qualidade: DVDRip
Formato: RMVB
Áudio: Português
Legenda: S/L
Qualidade de Audio: 10
Qualidade de Vídeo: 10
Tamanho: 444 mb  

Sinopse: Um sargento (R. Lee Ermey) treina de forma fanática e sádica os recrutas em uma base de treinamentos, na intenção de transformá-los em máquinas de guerra para combater na Guerra do Vietnã. Após serem transformados em fuzileiros navais, eles são enviados para a guerra quando lá chegam se deparam com seus horrores.
Elenco:
Matthew Modine
Adam Baldwin
Vincent D´Onofrio
R. Lee Ermey
Dorian Harewood
Arliss Howard
Kevyn Major Howard
Ed O´Ross
John Terry
™-----------------------------™
Da recruta em Paris Island ao campo de batalha em pleno Vietname, este é o percurso de Full Metal Jacket, que Stanley Kubrick realizou em 1986, o mesmo ano em que Oliver Stone apresentou Platoon. Há semelhanças grandes e também diferenças substanciais entre estas duas abordagens à mesma guerra e Kubrick, que ao contrário de Oliver Stone não foi interveniente directo na guerra, recua estrategicamente para uma posição que lhe permite relatar não só o lado corrupto e desumanizador da guerra como também oferecer um retrato irónico e carregado de humor negro – em suma, Kubrick oferece-nos um tratado sobre a absurdidade bélica.

Não que estejamos perante uma clara comédia como o fora também Dr. Strangelove, onde o fim do mundo marcado pela destruição nuclear era visto como o auge da comédia burlesca, e o pânico generalizado era dissecado de forma mordaz pelo génio do realizador. Aqui a abordagem surge de forma mais subtil, desde as incontáveis (mas hilariantes) besteiras berradas pelo sargento Hartman (Lee Ermey com uma interpretação panteonesca) aos seus recrutas, passando pelas cenas em que, em pleno território de batalha, o soldado americano regateia com prostitutas vietnamitas um “serviço completo”.



O filme surge claramente dividido em duas partes distintas. A primeira, em plena recruta, onde os jovens alistados são treinados para matar pelo cruel e lunático sargento e uma segunda parte já situada no Vietname. Nestas duas partes há também duas abordagens distintas que se prendem basicamente com a tomada do ponto de vista. Na primeira parte, Kubrick aborda os recrutas como um único corpo às ordens do sargento e, desde a primeira sequência em que os jovens surgem no ritual de corte de cabelo, são tratados como um colectivo, indistinguíveis que, aos poucos, vão sendo revelados e apresentados ao espectador. E aí o protagonismo recai mais sobre o sargento e sobre o recruta Gomer Pyle (Vincent D’Onofrio), ainda que abrindo caminho a um certo olhar do recruta Joker (Matthew Modine), que nos narra a história desde o início e que será então o guia para a segunda parte do filme.

Aí, é o seu olhar que nos conduz ao longo dos diversos cenários que percorre enquanto repórter de guerra. E será a partir desse momento que temos uma visão mais pessoal do conflito e da forma como este afecta a mente e os valores morais de um jovem em combate. O jovem que ao mesmo tempo tem no capacete a inscrição “nascido para matar” e alberga no uniforme o símbolo da paz. Mas o cinema de Kubrick sempre foi demasiado irónico para parecer assim tão simples e mesmo essa dualidade é tratada com grande dose de sarcasmo puro e duro, fazendo dessa confusão aparente do protagonista um espelho para todo o conflito em si.

É já mais do que conhecido o perfeccionismo do realizador em todas as obras que assinou e pode dizer-se seguramente que Full Metal Jacket funciona como um excelente exemplo desse lado metódico de Kubrick. Mas também é verdade que o filme não consegue situar-se ao nível de outras obras-primas do realizador, sendo incapaz de conseguir o equilíbrio entre as suas duas partes. E a verdade é que a primeira funciona de forma bastante mais eficaz, especialmente porque a ela se adequa de forma mais eficaz o tratamento irónico que carrega todo o filme.



Quando se dirige para o campo de batalha, o filme perde alguma da sua intensidade dramática, porque Kubrick nunca deixa que seja a personagem a tomar completamente conta da situação, não resistindo por vezes a maniquear a história de forma a que a sua visão política afecte a narrativa quando não deve. Ou, por outras palavras, em vez de deixar as imagens por elas próprias transmitirem o lado estúpido e, se quisermos, interesseiro desta guerra, acaba por colocar em algumas personagens discursos demasiado claros e unidireccionais que nem sempre funcionam da melhor forma.

Por outro lado, convém não esquecer que estamos a falar de um filme de Stanley Kubrick, um dos maiores realizadores que jamais pisaram este planeta. E isso significa desde logo algumas imagens estupidamente geniais e sequências excepcionais de cinema, aqui ao serviço do “filme de guerra”. E temos também uma das melhores bandas sonoras de que me lembro de ver num filme, desde a hilariante “Hello Vietnam” que acompanha os créditos iniciais (e que por si só nos avisa desde logo que o olhar do filme sobre a guerra vai estar carregado de ironia) à genial “Paint It Black”, dos Rolling Stones nos créditos finais, passando entretanto por uma bem sucedida selecção de canções e ainda uma artitura impecável de “Abigail Mead”... Não sendo excelente, é ainda assim bastante acima da média (ou, se quisermos, apenas um pouco abaixo da média do cinema de Kubrick).

0 comentários:

Postar um comentário

----------------------------------------------------